"-Eu queria te perguntar uma coisa
-Pode falar
-Por que você acha que eu não tenho que desistir do amor?
-Bem..."
O que eu respondi foi que a vida sem amor é muito pouco, muito menos do que pode ser. Eu não sou uma pessoa que preza as felicidades e satisfações materiais, então desistir do amor é desistir de parte do que te deixa feliz de verdade, feliz por dentro.
"-Não sei como é isso, tô cansado de ser humilhado só porque gosto de alguém"
Acontece que do jeito que eu vejo, não se precisa ser retribuído no amor pra saber como ele te faz bem. Algumas pessoas às vezes confundem, dizendo que amor é uma merda, que te deixa na pior, que só traz sofrimento. Amor de verdade não faz com que você se sinta mal, faz com que você se sinta bem. É simples assim. Ser humilhado é uma merda, ser rejeitado te deixa na pior, ser abandonado ou traído te traz sofrimento. Essas coisas vêm junto do amor, inevitavelmente, mas se fechar pra esse tipo de tristeza e dor significa se fechar pra felicidade de verdade, também. E nenhuma dessas merdas consegue esmorecer aquele sentimento incomparável de amor nascendo, mesmo que ele acabe não sendo retribuído.
"-Não sei, depende muito da forma que é dada essa não-retribuição..."
É claro, se a pessoa te afasta ou passa a te tratar diferente, é horrível. Mas se isso não acontece, amor nascendo é poesia, amor nascendo é loucura. Amor nascendo é o mais próximo de magia que temos pra acreditar. É ter borboletas no estômago, é suar frio, é tremelique na perna. É querer estar sempre perto, é ter lembranças minimalistas, é rir à toa. É como pular de um precipício: geralmente dói horrores quando se cai, mas o mais importante é que por alguns míseros instantes, pareceu que você podia voar. E míseros instantes no paraíso fazem valer a pena a eternidade que você passou na terra. É como uma montanha-russa, e mesmo que agora você possa estar se sentindo por baixo, eventualmente você fica por cima. E até lá, vamos tentar pensar positivo!
Promete que tenta também...? <3
domingo, 22 de dezembro de 2013
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Não existem momentos genuinamente bacanas se eles não estiverem devidamente registrados em megapixels, armazenados em bytes, megabytes, gigabytes e até o tal do terabyte. Agora me diz: de quantos bits um ser humano precisa pra ser feliz?
Férias
Hoje acordei com vontade de escrever.
Se eu dissesse isso, estaria mentindo, porque como de costume, acordei com fome e com vontade de dormir mais. Mas isso não vem muito ao caso. Acordei às duas da tarde e queria quebrar a rotina monótona das minhas longas e curtas férias. Catei na cozinha um pedaço de quiche e mandei uma mensagem pro primeiro nome feminino que vi na agenda, chamando a garota pra sair. Botei pra tocar um álbum do Bowie enquanto esperava a resposta, e fiquei vendo as horas pularem janela fora enquanto pensava em coisas úteis que poderia estar fazendo naquele momento. É claro que olhar pro nada e ouvir música é infinitamente mais interessante.
Acho que passei mais tempo assim do que pensei.
Minha mãe acabou batendo na porta do quarto querendo saber se eu ainda respirava. Fingi estar asfixiando, mas eventualmente tive de dizer a ela que estava tudo bem, pra que ela saísse do quarto rindo e comentando como esse menino não tinha jeito mesmo. Olhei o celular. Nada. Troquei o álbum que já tocava pela quarta vez e puxei um livro bonitinho da estante pra ler sobre Nova York e Paris, mas a diversão foi breve. Tentei alguma coisa mais duradoura e baixei um filme da lista "férias", que se limitou a render rápidos e bons 102 minutos de pensamentos e emoções sobre garotos introvertidos e invisibilidade. Bonito, mas curto demais pra saciar o tédio de um garoto de 16 anos em período de férias e sem dinheiro. Pensei que devia ter escolhido aquele de vampiros que dura algo como 6 horas, mas esqueci como se chamava. Horas após tê-lo feito, percebi que meu convite tinha sido ignorado, então dei de ombros e decidi que iria escrever. Naturalmente, pensa-se que a pessoa vá ler em busca de inspiração, mas como tudo que dizem trazer inspiração, isso nunca dá certo comigo. Eu juro que adoraria conseguir escrever um daqueles textos com humor fino e aguçado, algo mais parecido com uma crônica humorística, como se engatinhando prum estilo Veríssimo. Mas é claro que não era pra ser. Só o que sei fazer é escrever sobre minhas tristezas, e nem eu tenho tido paciência pra elas recentemente. Morrissey, se você estiver ouvindo isso, por favor me perdoe, pois eu pequei. Infelizmente, é isso mesmo, não há muito a se fazer a respeito, e nem mesmo sei direito o que quis dizer com esse texto.
Oh, well, amanhã tentamos de novo. Novo dia, novo filme, novo livro, novo texto. O mesmo tédio.
Se eu dissesse isso, estaria mentindo, porque como de costume, acordei com fome e com vontade de dormir mais. Mas isso não vem muito ao caso. Acordei às duas da tarde e queria quebrar a rotina monótona das minhas longas e curtas férias. Catei na cozinha um pedaço de quiche e mandei uma mensagem pro primeiro nome feminino que vi na agenda, chamando a garota pra sair. Botei pra tocar um álbum do Bowie enquanto esperava a resposta, e fiquei vendo as horas pularem janela fora enquanto pensava em coisas úteis que poderia estar fazendo naquele momento. É claro que olhar pro nada e ouvir música é infinitamente mais interessante.
Acho que passei mais tempo assim do que pensei.
Minha mãe acabou batendo na porta do quarto querendo saber se eu ainda respirava. Fingi estar asfixiando, mas eventualmente tive de dizer a ela que estava tudo bem, pra que ela saísse do quarto rindo e comentando como esse menino não tinha jeito mesmo. Olhei o celular. Nada. Troquei o álbum que já tocava pela quarta vez e puxei um livro bonitinho da estante pra ler sobre Nova York e Paris, mas a diversão foi breve. Tentei alguma coisa mais duradoura e baixei um filme da lista "férias", que se limitou a render rápidos e bons 102 minutos de pensamentos e emoções sobre garotos introvertidos e invisibilidade. Bonito, mas curto demais pra saciar o tédio de um garoto de 16 anos em período de férias e sem dinheiro. Pensei que devia ter escolhido aquele de vampiros que dura algo como 6 horas, mas esqueci como se chamava. Horas após tê-lo feito, percebi que meu convite tinha sido ignorado, então dei de ombros e decidi que iria escrever. Naturalmente, pensa-se que a pessoa vá ler em busca de inspiração, mas como tudo que dizem trazer inspiração, isso nunca dá certo comigo. Eu juro que adoraria conseguir escrever um daqueles textos com humor fino e aguçado, algo mais parecido com uma crônica humorística, como se engatinhando prum estilo Veríssimo. Mas é claro que não era pra ser. Só o que sei fazer é escrever sobre minhas tristezas, e nem eu tenho tido paciência pra elas recentemente. Morrissey, se você estiver ouvindo isso, por favor me perdoe, pois eu pequei. Infelizmente, é isso mesmo, não há muito a se fazer a respeito, e nem mesmo sei direito o que quis dizer com esse texto.
Oh, well, amanhã tentamos de novo. Novo dia, novo filme, novo livro, novo texto. O mesmo tédio.
Sinto-me solitário. Todos os blogs que costumava seguir se encontram abandonados...
Alguém aí quer ser meu amigo?
Alguém aí quer ser meu amigo?
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Fingimentos
A noite instaurada é sombria, e nem a lua ousa manifestar sua luz prateada. O céu escuro é lenta e completamente recoberto por soturnas nuvens negras, que se instalam em toda a vista da minha varanda como maus agouros. Não passa muito tempo e logo desabam do céu gélidos pingos grossos de chuva, que molham a terra fresca e atraem sapos e rãs cujo croar passa a ecoar na madrugada. No entanto, o som é breve, e tanto o ruído da chuva quanto o dos anfíbios logo cessa, deixando-me novamente no mais profundo silêncio. As horas voam enquanto o sono continua a me escapar da mão, acuado com os pensamentos que conseguem abrir caminho para dentro de minha cabeça. Perdido e sozinho na escuridão, só consigo perguntar que teria feito eu para merecer isto.
O desejo que brotava de meu âmago era abrir a porta de vidro e esperar que a chuva caísse sobre mim, levando consigo toda a negatividade junto desses sentimentos ruins. A Razão, no entanto, me puxou para a realidade, me alertando que tomar chuva antes de dormir quando se tem aula no dia seguinte não seria um ato prudente. Minha Razão se recusa a assimilar a ideia de que algumas coisas estão simplesmente fora de seu alcance. A tristeza que não me abandona, por exemplo, e os sussurros que ecoam no escuro quando estou sozinho. Pois embora eu tente não pensar no que o futuro irá trazer, o medo volta a me assombrar e não consigo afastar a sensação de que o pior está por vir. Mas se pelo menos...
...Se pelo menos você soubesse como me sinto!
Indesejada, a Razão persiste em interferir em assuntos que não lhe dizem respeito, e me diz que não tem sentido se arriscar em um jogo que já foi perdido. Ela não entende que na verdade eu queria fingir, ainda que fosse só por um momento. Só por um instante, queria não saber as coisas que imagino, e poder aproveitar cada segundo antes que isso tudo se acabe. Eu queria acreditar, por mais rápido que fosse. Te dar um abraço apertado, te beijar no pescoço e falar baixinho no seu ouvido que sei que vamos dar certo e que somos perfeitos um para o outro. Mas, mesmo eu sei que isso tudo são só mentiras sem sentido. Tentativas idiotas de ver se consigo te trazer de volta pros meus braços saudosos. Já é uma aposta perdida, me diz a Razão. Você e eu nunca seremos nós...
Talvez minha Razão tenha razão. Talvez eu devesse ir dormir agora, na esperança de conseguir no sonho aquilo que a realidade me nega. Talvez as coisas tenham que ser assim mesmo. Talvez você só me ame mesmo como amigo. Acontece que no fundo, eu ainda quero ter esperança. Quero acreditar que podemos ser felizes juntos, e que esses pensamentos ruins são só coisa da minha cabeça. Quero acreditar que você realmente quer estar com... com alguém como eu. Mas eu tenho medo do futuro. Tenho medo do que ele leva embora, e do que ele pode trazer. E me pergunto se algum dia, juntinho do meu amor eu vou poder viver...
O desejo que brotava de meu âmago era abrir a porta de vidro e esperar que a chuva caísse sobre mim, levando consigo toda a negatividade junto desses sentimentos ruins. A Razão, no entanto, me puxou para a realidade, me alertando que tomar chuva antes de dormir quando se tem aula no dia seguinte não seria um ato prudente. Minha Razão se recusa a assimilar a ideia de que algumas coisas estão simplesmente fora de seu alcance. A tristeza que não me abandona, por exemplo, e os sussurros que ecoam no escuro quando estou sozinho. Pois embora eu tente não pensar no que o futuro irá trazer, o medo volta a me assombrar e não consigo afastar a sensação de que o pior está por vir. Mas se pelo menos...
...Se pelo menos você soubesse como me sinto!
Indesejada, a Razão persiste em interferir em assuntos que não lhe dizem respeito, e me diz que não tem sentido se arriscar em um jogo que já foi perdido. Ela não entende que na verdade eu queria fingir, ainda que fosse só por um momento. Só por um instante, queria não saber as coisas que imagino, e poder aproveitar cada segundo antes que isso tudo se acabe. Eu queria acreditar, por mais rápido que fosse. Te dar um abraço apertado, te beijar no pescoço e falar baixinho no seu ouvido que sei que vamos dar certo e que somos perfeitos um para o outro. Mas, mesmo eu sei que isso tudo são só mentiras sem sentido. Tentativas idiotas de ver se consigo te trazer de volta pros meus braços saudosos. Já é uma aposta perdida, me diz a Razão. Você e eu nunca seremos nós...
Talvez minha Razão tenha razão. Talvez eu devesse ir dormir agora, na esperança de conseguir no sonho aquilo que a realidade me nega. Talvez as coisas tenham que ser assim mesmo. Talvez você só me ame mesmo como amigo. Acontece que no fundo, eu ainda quero ter esperança. Quero acreditar que podemos ser felizes juntos, e que esses pensamentos ruins são só coisa da minha cabeça. Quero acreditar que você realmente quer estar com... com alguém como eu. Mas eu tenho medo do futuro. Tenho medo do que ele leva embora, e do que ele pode trazer. E me pergunto se algum dia, juntinho do meu amor eu vou poder viver...
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
"Vamos pensar positivo!"
Fui andando por aquela rua arborizada sentindo uma brisa fresca contra meu rosto enquanto procurava o número 11. Toquei aleatoriamente um dos seis botões de campainha que ali estavam, e uma voz tornada rouca pelo interfone me disse para entrar. Atravessei uma porta de vidro e entrei por uma outra porta no que parecia uma típica sala de espera. Música de lounge tocando baixo, ventilador fraco girando lento, sofá amassado na parede, revistas variadas espalhadas pela mesinha de centro, pequenos quadros tortos pendurados na parede. Ansiedade e batimentos cardíacos ligeiramente acelerados. Passando a mão excessivamente no cabelo e batendo as unhas ritmadamente no braço de madeira do sofá. De repente, tirando-me de meus pensamentos, uma mulher de baixa estatura chamou por meu nome. Ela tinha o cabelo castanho-claro preso em um rabo de cavalo e usava jeans azul e blusa branca. Devo confessar que à primeira vista, certamente não fui com a cara dela. Ela observava com olhos vagos de peixe morto e tinha um rosto que não se esperava de alguém com o trabalho dela. Acabei relevando, visto que o sorriso e a doçura em sua voz fizeram com que me sentisse menos desconfortável. A moça peixe-morto me conduziu até uma sala no interior da casa, onde sentamos e ela me fez a mais típica das perguntas de primeiros dias. Por trás de seu estoicismo, vi acender em seu rosto uma faísca de interesse, e concluí que minha resposta a havia satisfeito, embora não fosse essa a minha intenção inicialmente. Continuamos a conversar e ela acabou constatando sua admiração pela minha determinação e otimismo de estar lá por conta própria. Me pareceu um tanto ridícula uma admiração superficial como essa, para ser sincero. Aquela mulher definitivamente não tinha noção de com quem estava lidando. Mas então ela fez um comentário afiado e certeiro que me pegou desprevenido. Fiquei sem reação por alguns segundos, em choque com a obviedade do que me havia sido dito e com a minha aparente alienação em relação a isso. Pelo visto, o olhar vago e vazio daquela mulher enxerga coisas que o olho normal não vê! Notando a minha óbvia surpresa, ela apenas se limitou a sorrir silenciosamente de orelha a orelha, como quem dissesse que eu inevitavelmente tornaria a vê-la naquela sala.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Formatura
Uma sensação estranha teve me afligido durante estes últimos dias. Uma que não consigo entender, por mais que já tenha tentado. O que poderia ser melhor do que passar tempo com um grande grupo composto por seus amigos, certo? As pessoas com quem você mais conviveu, passou bons momentos, momentos de tristeza, momentos de felicidade e de angústia, de estresse e sossego. Pessoas que se importam com você, certo? Certo.
Mas...
Conforme o tempo vai passando, as coisas se tornam mais difíceis. Problemas vão se multiplicando, junto das responsabilidades, e se vai percebendo que se tem mais dúvidas do que certezas, no final das contas. Os anos se somaram, e fui enxergando que talvez não tivesse tantas coisas em comum com o resto deles. E os dias que se sucediam infelizmente deixavam isso cada vez mais claro. Tive meus amigos, meus bons e próximos amigos, mas esse senso de coletividade que unia todos os outros... Eu tentei fazer parte disso, juro que tentei. Me encontrar com pessoas variadas, ter vários tipos de conversas diferentes, e até mesmo sair com grupos grandes, algo que já naquela época não me era muito querido. Mas não adiantou. Vezes demais me sentia desconfortável, inquieto, pensando comigo mesmo que estava no lugar errado, que aquele não era realmente o espaço para mim. Eu simplesmente não conseguia me sentir do mesmo jeito que eles, por mais que tentasse. Parecia-me que o pertencimento simplesmente estivera além do alcance da mão o tempo todo. Eu não podia evitar o modo como me sentia, ou o modo como deixava de me sentir. As pessoas estavam sempre se comunicando, se conectando, enquanto eu nunca soube o que fazer. Eu era bom demais em esconder aquilo que queriam ver de mim. Falhei em fazer algo em relação a isso... Mas eu havia me resignado. Sabia que já não podia mais fingir que as coisas não eram tão leves quanto poderiam ser, mas eu lidava bem com elas. Mesmo após ter por um ínfimo instante participado de tudo isso, acabei voltando ao mesmo, me questionando se ganharia mais sozinho ou em grupo. Observando toda aquela baboseira do lado de fora, acabava pensando no quanto ela deveria ser tão estupidamente aconchegante e acolhedora.
Até o dia da foto. Quando a foto de turma chegou, não conseguia explicar as sensações que se formavam dentro de mim. Observei cada um daqueles rostos, cada uma daquelas pessoas que participaram de tantos momentos da minha vida, cada conversa jogada fora, cada segundo desperdiçado, e experimentei uma sensação de profundo pesar. Talvez eu tenha sido um tolo, afinal de contas, por não conseguir aproveitar a beleza que estivera por tantos anos diante de mim e agora escorria por entre os meus dedos como areia fina. Na verdade verdadeira, eu era um tolo por me sentir tão saudoso e sofrer tanto pela perda de algo que nunca foi meu em primeiro lugar.
CEAT, Turma 31 2013
Mas...
Conforme o tempo vai passando, as coisas se tornam mais difíceis. Problemas vão se multiplicando, junto das responsabilidades, e se vai percebendo que se tem mais dúvidas do que certezas, no final das contas. Os anos se somaram, e fui enxergando que talvez não tivesse tantas coisas em comum com o resto deles. E os dias que se sucediam infelizmente deixavam isso cada vez mais claro. Tive meus amigos, meus bons e próximos amigos, mas esse senso de coletividade que unia todos os outros... Eu tentei fazer parte disso, juro que tentei. Me encontrar com pessoas variadas, ter vários tipos de conversas diferentes, e até mesmo sair com grupos grandes, algo que já naquela época não me era muito querido. Mas não adiantou. Vezes demais me sentia desconfortável, inquieto, pensando comigo mesmo que estava no lugar errado, que aquele não era realmente o espaço para mim. Eu simplesmente não conseguia me sentir do mesmo jeito que eles, por mais que tentasse. Parecia-me que o pertencimento simplesmente estivera além do alcance da mão o tempo todo. Eu não podia evitar o modo como me sentia, ou o modo como deixava de me sentir. As pessoas estavam sempre se comunicando, se conectando, enquanto eu nunca soube o que fazer. Eu era bom demais em esconder aquilo que queriam ver de mim. Falhei em fazer algo em relação a isso... Mas eu havia me resignado. Sabia que já não podia mais fingir que as coisas não eram tão leves quanto poderiam ser, mas eu lidava bem com elas. Mesmo após ter por um ínfimo instante participado de tudo isso, acabei voltando ao mesmo, me questionando se ganharia mais sozinho ou em grupo. Observando toda aquela baboseira do lado de fora, acabava pensando no quanto ela deveria ser tão estupidamente aconchegante e acolhedora.
Até o dia da foto. Quando a foto de turma chegou, não conseguia explicar as sensações que se formavam dentro de mim. Observei cada um daqueles rostos, cada uma daquelas pessoas que participaram de tantos momentos da minha vida, cada conversa jogada fora, cada segundo desperdiçado, e experimentei uma sensação de profundo pesar. Talvez eu tenha sido um tolo, afinal de contas, por não conseguir aproveitar a beleza que estivera por tantos anos diante de mim e agora escorria por entre os meus dedos como areia fina. Na verdade verdadeira, eu era um tolo por me sentir tão saudoso e sofrer tanto pela perda de algo que nunca foi meu em primeiro lugar.
CEAT, Turma 31 2013
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