quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Tarde

Na sua vida, você pode morrer a qualquer momento, por qualquer motivo. O único problema, no meu caso, é que isso demora demais a acontecer.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Escolha sabiamente os seus modelos. Encontre as pessoas que tiveram a vida que você quer ter, descubra o que eles fizeram, e faça o mesmo. É esse o meu conselho.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O monstro

Fuja desse monstro. À meia noite, ele levantou suas garras afiadas e elas brilharam à luz pálida do luar prateado. Eu corria, tentando desesperadamente despistá-lo entre os obstáculos que haviam se colocado entre nós, mas ele era obviamente mais rápido e mais forte, derrubando tudo em seu caminho com um poder assombroso. Eu já não conseguia ver o chão onde pisava, orientando-me apenas pela luz das estrelas no céu enquanto ouvia os galhos secos se quebrarem sob meus pés. Ele se aproximava ameaçadoramente. Já podia sentir o bater do seu coração junto ao meu corpo e o calor de sua respiração, conforme o cansaço ia tomando conta de meu organismo e as minhas pernas começavam a vacilar, fraquejando a cada passo que dava. Sabia que deveria fugir; fugir desse medo, dessa sensação que eu já conhecia, desse ser que insistia em se apoderar de mim com sua fome insaciável, seus desejos, seus instintos mais primitivos. Ele ia me devorar, lentamente, pedaço por pedaço, membro por membro, ia rir enquanto destruía meu corpo, se deliciar com o sabor do meu sangue. Não pude fugir. Ele me alcançou e, em um movimento, saltou sobre mim e me dominou por completo. Abriu a minha pele e, com a sua boca, rasgou as minhas entranhas, gargalhando com alegria maníaca enquanto caminhava satisfeito de volta para os confins de onde havia saído. O sangue pingava de sua língua, a minha carne ainda presa em seus dentes monstruosos, o meu gosto ainda fresco em sua boca. E ele exibiu com orgulho insano os restos de mim àqueles ao seu redor, como uma espécie de troféu, uma homenagem ao seu ego e símbolo de sua força. Fiquei então abandonado no meio da noite escura, sozinho, sujo, experimentando uma sensação de profundo vazio pela perda daquilo que havia dentro de mim. Sem coragem para ir até ele e pedir de volta, continuei ali sentado, sem o meu interior, esperando pelo dia em que ele se cansaria de mostrá-lo aos outros e viesse devolvê-lo a mim.

Repressão

Meu corpo e a minha mente inflamam com o ardor das palavras não-ditas, desesperadas pra encontrar um meio de ganhar voz e se manifestar. Mas o papel continua em branco.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Composition

Porque eu acabei gostando de como saiu essa composition sobre um ato de bondade hê

It was a hot February day and, as I walked down the stairs of my school, I could swear I saw the heat waves around me, warping and melting everything they touched. Although everyone everywhere I went was complaining about the heat, I must confess it was the last thing on my mind and the least of my worries as I gazed upon the white clouds drifting in the bright, blue sky. Classes had just re-started, and I already wished I could be far, far away from there.
In my holidays, I had met someone. All of a sudden, this certain someone became my most important person in the world. It was so clear that she was the only one for me. We were meant for each other. We both knew it, right away. I could still remember clearly all the afternoons we had spent together: the things we had found out in common, the kisses we had exchanged, the secrets we had shared... She was nothing like any person I had met before. She was charismatic, magnetic, electric, and everyone knew it. When she walked in, every man's head turned, everyone stood up to talk to her.
But as time went on, things got more difficult. We were faced with more and more challenges. In desperation, I begged her to stay- try to remember what we had at the beggining. But it was of no use. Somehow, I always got the feeling that she became torn between being a good person and missing out on all of the opportunities that life could offer a woman as magnificent as her.
That February day, I was sitting by myself, my mind lost in memories of better days. It was when I noticed someone standing beside me. An old friend of mine. He stared at me, with an obviously concerned look on his face, and asked "Are you alright?". I looked up at him, but could not bring myself to answer as I tried to prevent the tears from rolling of my eyes. In that moment, I had realized I had not been able to hide my feelings- he had seen right through me. He instantly hugged me tight, and I was left breathless. There were no words. But we had no need of those.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

15.071

Como chegamos a esse ponto, se todos os meus textos não passam de listas das minhas dores e sofrimento?

sábado, 1 de setembro de 2012

Erotomania

Fui fechando devagar os meus olhos, conforme era gradualmente tomado pela torrente de sensações que o seu toque me provocava. O cheiro inebriante da sua pele e do seu perfume inundou o meu olfato com o odor mais doce que já havia sentido, fazendo minha mente delirar. Seu queixo estava apoiado em minha cabeça, e o seu abraço me acolhia e aninhava no calor do seu peito. Nossos corpos colados se moviam lentamente ao som da música, e só podia pensar no quanto desejava permanecer ali, eternamente amado em seus braços. Sentia-me leve, flutuando, e pela primeira vez na vida acreditei que se morresse naquele momento, morreria genuinamente feliz. Desencostei então minha cabeça de seu peito, e passei suavemente meus braços em torno do seu pescoço, para que eu pudesse admirar o rosto que durante tantas noites se recusou a sair de meus pensamentos. Olhei então para seus lábios atraentes, e desejei do fundo do meu coração que eles estivessem mais próximos dos meus. Aproximei então meu rosto do seu, e senti suas mãos em minhas costas me segurando mais firme, e me envolvendo cada vez mais no nosso abraço. Estava cada vez mais perto e conseguia sentir sua respiração fazendo leves cócegas em meu rosto. Estávamos tão juntos que eu era capaz de ouvir os batimentos do seu coração, tão acelerados quanto os meus naquele momento. Você murmurou algo que não pude decifrar, mas conseguia quase sentir seus lábios, se movendo lentamente contra os meus. Eles eram doces, e pareciam cobertos de mel. Meu único desejo estava a um passo de ser realizado se eu simplesmente puxasse o seu pescoço um -pouquinho- mais para perto. Quando ia me aproximar o centímetro que faltava, no entanto, a manhã veio e sem piedade despedaçou todos os meus sonhos.