quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Repressão
Meu corpo e a minha mente inflamam com o ardor das palavras não-ditas, desesperadas pra encontrar um meio de ganhar voz e se manifestar. Mas o papel continua em branco.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Composition
Porque eu acabei gostando de como saiu essa composition sobre um ato de bondade hê
It was a hot February day and, as I walked down the stairs of my school, I could swear I saw the heat waves around me, warping and melting everything they touched. Although everyone everywhere I went was complaining about the heat, I must confess it was the last thing on my mind and the least of my worries as I gazed upon the white clouds drifting in the bright, blue sky. Classes had just re-started, and I already wished I could be far, far away from there.
In my holidays, I had met someone. All of a sudden, this certain someone became my most important person in the world. It was so clear that she was the only one for me. We were meant for each other. We both knew it, right away. I could still remember clearly all the afternoons we had spent together: the things we had found out in common, the kisses we had exchanged, the secrets we had shared... She was nothing like any person I had met before. She was charismatic, magnetic, electric, and everyone knew it. When she walked in, every man's head turned, everyone stood up to talk to her.
But as time went on, things got more difficult. We were faced with more and more challenges. In desperation, I begged her to stay- try to remember what we had at the beggining. But it was of no use. Somehow, I always got the feeling that she became torn between being a good person and missing out on all of the opportunities that life could offer a woman as magnificent as her.
That February day, I was sitting by myself, my mind lost in memories of better days. It was when I noticed someone standing beside me. An old friend of mine. He stared at me, with an obviously concerned look on his face, and asked "Are you alright?". I looked up at him, but could not bring myself to answer as I tried to prevent the tears from rolling of my eyes. In that moment, I had realized I had not been able to hide my feelings- he had seen right through me. He instantly hugged me tight, and I was left breathless. There were no words. But we had no need of those.
It was a hot February day and, as I walked down the stairs of my school, I could swear I saw the heat waves around me, warping and melting everything they touched. Although everyone everywhere I went was complaining about the heat, I must confess it was the last thing on my mind and the least of my worries as I gazed upon the white clouds drifting in the bright, blue sky. Classes had just re-started, and I already wished I could be far, far away from there.
In my holidays, I had met someone. All of a sudden, this certain someone became my most important person in the world. It was so clear that she was the only one for me. We were meant for each other. We both knew it, right away. I could still remember clearly all the afternoons we had spent together: the things we had found out in common, the kisses we had exchanged, the secrets we had shared... She was nothing like any person I had met before. She was charismatic, magnetic, electric, and everyone knew it. When she walked in, every man's head turned, everyone stood up to talk to her.
But as time went on, things got more difficult. We were faced with more and more challenges. In desperation, I begged her to stay- try to remember what we had at the beggining. But it was of no use. Somehow, I always got the feeling that she became torn between being a good person and missing out on all of the opportunities that life could offer a woman as magnificent as her.
That February day, I was sitting by myself, my mind lost in memories of better days. It was when I noticed someone standing beside me. An old friend of mine. He stared at me, with an obviously concerned look on his face, and asked "Are you alright?". I looked up at him, but could not bring myself to answer as I tried to prevent the tears from rolling of my eyes. In that moment, I had realized I had not been able to hide my feelings- he had seen right through me. He instantly hugged me tight, and I was left breathless. There were no words. But we had no need of those.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
15.071
Como chegamos a esse ponto, se todos os meus textos não passam de listas das minhas dores e sofrimento?
sábado, 1 de setembro de 2012
Erotomania
Fui fechando devagar os meus olhos, conforme era gradualmente tomado pela torrente de sensações que o seu toque me provocava. O cheiro inebriante da sua pele e do seu perfume inundou o meu olfato com o odor mais doce que já havia sentido, fazendo minha mente delirar. Seu queixo estava apoiado em minha cabeça, e o seu abraço me acolhia e aninhava no calor do seu peito. Nossos corpos colados se moviam lentamente ao som da música, e só podia pensar no quanto desejava permanecer ali, eternamente amado em seus braços. Sentia-me leve, flutuando, e pela primeira vez na vida acreditei que se morresse naquele momento, morreria genuinamente feliz. Desencostei então minha cabeça de seu peito, e passei suavemente meus braços em torno do seu pescoço, para que eu pudesse admirar o rosto que durante tantas noites se recusou a sair de meus pensamentos. Olhei então para seus lábios atraentes, e desejei do fundo do meu coração que eles estivessem mais próximos dos meus. Aproximei então meu rosto do seu, e senti suas mãos em minhas costas me segurando mais firme, e me envolvendo cada vez mais no nosso abraço. Estava cada vez mais perto e conseguia sentir sua respiração fazendo leves cócegas em meu rosto. Estávamos tão juntos que eu era capaz de ouvir os batimentos do seu coração, tão acelerados quanto os meus naquele momento. Você murmurou algo que não pude decifrar, mas conseguia quase sentir seus lábios, se movendo lentamente contra os meus. Eles eram doces, e pareciam cobertos de mel. Meu único desejo estava a um passo de ser realizado se eu simplesmente puxasse o seu pescoço um -pouquinho- mais para perto. Quando ia me aproximar o centímetro que faltava, no entanto, a manhã veio e sem piedade despedaçou todos os meus sonhos.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
O que você quer ser quando crescer?
O que será que isso quer realmente dizer? Por que será que "grande" ou "feliz" não são consideradas respostas válidas para esta pergunta? Parte-se para a análise dos fundamentos por trás dessa pergunta, a partir dos conceitos que nela estão tão profundamente enraizados, a ponto de não fazê-la provocar qualquer reflexão sobre seu real significado, ou seja, a ponto de ninguém que "cresceu" ter qualquer dúvida sobre o intuito da questão. Quando quer que ela seja feita a alguém que, na opinião de quem pergunta, ainda não "cresceu", o que se tem em mente não é uma resposta que indique uma condição física desejável pela pessoa que é perguntada, muito menos um estado emocional a se atingir. Não, a resposta é mais simples do que isso. Aquele que pergunta deseja saber com o que a pessoa perguntada deseja trabalhar. Dessa forma, é importante notar que um questionamento com esse propósito venha na forma de "o que você quer ser quando crescer". O que isso significa, portanto? Ser alguém trata-se, então, de trabalhar em algo, e se seres humanos são diferenciados nada mais nada menos pelo modo como são, como expressam seu ser, o que diferencia um indivíduo do outro é o seu trabalho. Mas o que é trabalho? A partir de uma das definições do dicionário, o trabalho assalariado, a forma mais comum e mundialmente aceita de trabalho nos dias de hoje, é caracterizado como a relização de uma certa atividade produtiva por parte de um indivíduo que dela ganhará uma recompensa por seu esforço, o salário. Trabalho então refere-se à capacidade de alguém de produzir e gerar coisas por meio de seu empenho. Trocando a palavra trabalho por sua definição, tem-se que, a partir da pergunta original, se ser alguém é trabalhar, a noção de ser alguém é intrinsicamente ligada à capacidade de produzir. Por isso, no contexto do nosso sistema de produção vigente, o capitalismo, o que nos torna pessoas é o nosso potencial de produção. Um ser humano só é valorizado pelo que pode produzir. Portanto, quem serão aqueles que não trabalham? Eles são representados por aqueles estabelecidos como exilados da sociedade; aqueles cuja presença é tida como indesejável. Trata-se dos moradores de rua, dos loucos e dos criminosos. Estes são, quando detectados, enviados à instituições como o hospício e a prisão, para que sejam reeducados e se tornem novamente aptos a contribuir para o mercado de produção atual. Por isso, a pergunta "O que você quer ser quando crescer?" poderia ser substituída por "De que forma você deseja contribuir para o nosso sistema de produção contemporâneo, o capitalismo?" Mas é claro que criancinhas não entenderiam essa frase. Por isso esses conceitos têm de ser instalados no início da formação do indivíduo, para que ele os assimile facilmente sem questionamento e, quando necessário, seja capaz de repetir o processo.
Internet
E eu continuo rolando pra baixo aquela barrinha azul, esperando pra ver se encontro algo que me faça rir ou me dê uma sensação de desconexão com a realidade pra que eu aguente viver por um pouco mais de tempo
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Meh [8]
Diário de Hospital
9 de Junho
Não sabia há quanto tempo estava consciente, mas sabia que havia acordado. Tinha essa certeza pois a única coisa que pude identificar no momento era minha sensação incrivelmente desagradável de que não havia dormido o bastante. Desejei, por alguns instantes, que permanecesse em um estado de semi-consciência, onde não poderia sentir mais nada além do fato de não estar morto. Porém, contra a minha vontade, meus sentidos foram gradualmente retornando a mim, um por um. Primeiro, o olfato me fez sentir o cheiro enojante de hospital, caracterizado pelo desinfetante e pelo odor de limpeza artificial. Em segundo, o tato, quando senti cada articulação do meu corpo doer ao meu menor movimento. Depois disso me veio o paladar, trazendo a sensação amarga dos remédios que haviam me enfiado garganta abaixo. Com a audição, pude ouvir a incessante chuva e o vento batendo na janela. Por fim, abri os olhos, e fui capaz de enxergar as rachaduras do teto branco que iam das extremidades até o centro, onde uma lâmpada presa por uma dupla de fios expostos desafiava a lei da gravidade. Rolando na cama de um lado pro outro, frustrado, olhei pela janela e constatei que não iria ser capaz de ver nada, pois uma neblina densa havia se instalado. Coberto de dores e de desconforto, só conseguia pensar no quanto isso tudo é injusto...10 de Junho
O médico veio hoje. Ele me fez engolir uma pílula estranha que ardeu cada centímetro de minha garganta, e disse que se ela não aliviasse a minha dor, ele teria de recorrer a medicamentos mais fortes. Eu não quero medicamentos mais fortes. A pílula que tomei já me deixou com enjôos e tonteiras durante o dia inteiro. Além do mais, se eu só me sinto melhor quando estou drogado, quem sou eu de verdade? Não consigo deixar de pensar que a as angústias da vida real são terrivelmente fortes, a ponto de nos vermos obrigados a recorrer a outras realidades que nos auxiliem na enfrentamento da nossa. Sei que devo estar soando patético e fraco, mas nem todo mundo consegue ser tão forte. Será que é tão condenável escolher tentar fugir ao invés de lutar? Algumas pessoas provavelmente diriam que sim, mas nenhum deles teve de passar pelo que passei. Sinto que isto é um pensamento tão egoísta, mas por mais que tente, não consigo evitar o modo como eu me sinto. É muito difícil continuar vivendo desse jeito...11 de Junho
Ah, Julia... Por mais que eu saiba que é loucura, no meu íntimo eu ainda tenho a esperança de que alguma hora você vai entrar por aquela porta balançando seus lindos cabelos escuros, vai vir correndo me abraçar e me dizer o quanto estava preocupada comigo e o quanto sentiu minha falta. Que vai reabrir a janela do meu coração, trancada por tanto tempo, e novamente fazer crescer flores onde um dia foi um jardim. Por isso, eu observo esperançosamente a porta o dia inteiro. Mas ela jamais se abre. Então eu continuo esperando, preso no casulo da minha dor e solidão. Sentindo-me fraco e desamparado, aguardando eternamente alguém que já sei que não vai voltar. Eu queria tanto poder mudar o modo como as coisas acabaram, Julia... Mas não consigo. Por isso fico aqui, pintando na cabeça um mosaico das nossas lembranças. Da nossa temporada em Cancun. Lembranças de tempos um dia melhores, tempos que não retornam mais. Os anos maravilhosos que tive ao seu lado... Mesmo que a nossa vida juntos tenha terminado desse jeito, eu não trocaria o tempo que passei com você por nada nesse mundo. Se na época que te conheci, alguém do futuro aparecesse para me contar todas as felicidades que eu iria viver com você e me dissesse que o custo delas seria o que estou passando agora, eu não teria dúvidas de que faria tudo de novo. Não posso pedir que você se lembre de mim onde quer que esteja agora, mas não consigo suportar a idéia de você me esquecer. Você me deu tanta coisa, e eu não fui capaz de retribuir nada...Julia...
Você me fez feliz...
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