segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Internet
E eu continuo rolando pra baixo aquela barrinha azul, esperando pra ver se encontro algo que me faça rir ou me dê uma sensação de desconexão com a realidade pra que eu aguente viver por um pouco mais de tempo
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Meh [8]
Diário de Hospital
9 de Junho
Não sabia há quanto tempo estava consciente, mas sabia que havia acordado. Tinha essa certeza pois a única coisa que pude identificar no momento era minha sensação incrivelmente desagradável de que não havia dormido o bastante. Desejei, por alguns instantes, que permanecesse em um estado de semi-consciência, onde não poderia sentir mais nada além do fato de não estar morto. Porém, contra a minha vontade, meus sentidos foram gradualmente retornando a mim, um por um. Primeiro, o olfato me fez sentir o cheiro enojante de hospital, caracterizado pelo desinfetante e pelo odor de limpeza artificial. Em segundo, o tato, quando senti cada articulação do meu corpo doer ao meu menor movimento. Depois disso me veio o paladar, trazendo a sensação amarga dos remédios que haviam me enfiado garganta abaixo. Com a audição, pude ouvir a incessante chuva e o vento batendo na janela. Por fim, abri os olhos, e fui capaz de enxergar as rachaduras do teto branco que iam das extremidades até o centro, onde uma lâmpada presa por uma dupla de fios expostos desafiava a lei da gravidade. Rolando na cama de um lado pro outro, frustrado, olhei pela janela e constatei que não iria ser capaz de ver nada, pois uma neblina densa havia se instalado. Coberto de dores e de desconforto, só conseguia pensar no quanto isso tudo é injusto...10 de Junho
O médico veio hoje. Ele me fez engolir uma pílula estranha que ardeu cada centímetro de minha garganta, e disse que se ela não aliviasse a minha dor, ele teria de recorrer a medicamentos mais fortes. Eu não quero medicamentos mais fortes. A pílula que tomei já me deixou com enjôos e tonteiras durante o dia inteiro. Além do mais, se eu só me sinto melhor quando estou drogado, quem sou eu de verdade? Não consigo deixar de pensar que a as angústias da vida real são terrivelmente fortes, a ponto de nos vermos obrigados a recorrer a outras realidades que nos auxiliem na enfrentamento da nossa. Sei que devo estar soando patético e fraco, mas nem todo mundo consegue ser tão forte. Será que é tão condenável escolher tentar fugir ao invés de lutar? Algumas pessoas provavelmente diriam que sim, mas nenhum deles teve de passar pelo que passei. Sinto que isto é um pensamento tão egoísta, mas por mais que tente, não consigo evitar o modo como eu me sinto. É muito difícil continuar vivendo desse jeito...11 de Junho
Ah, Julia... Por mais que eu saiba que é loucura, no meu íntimo eu ainda tenho a esperança de que alguma hora você vai entrar por aquela porta balançando seus lindos cabelos escuros, vai vir correndo me abraçar e me dizer o quanto estava preocupada comigo e o quanto sentiu minha falta. Que vai reabrir a janela do meu coração, trancada por tanto tempo, e novamente fazer crescer flores onde um dia foi um jardim. Por isso, eu observo esperançosamente a porta o dia inteiro. Mas ela jamais se abre. Então eu continuo esperando, preso no casulo da minha dor e solidão. Sentindo-me fraco e desamparado, aguardando eternamente alguém que já sei que não vai voltar. Eu queria tanto poder mudar o modo como as coisas acabaram, Julia... Mas não consigo. Por isso fico aqui, pintando na cabeça um mosaico das nossas lembranças. Da nossa temporada em Cancun. Lembranças de tempos um dia melhores, tempos que não retornam mais. Os anos maravilhosos que tive ao seu lado... Mesmo que a nossa vida juntos tenha terminado desse jeito, eu não trocaria o tempo que passei com você por nada nesse mundo. Se na época que te conheci, alguém do futuro aparecesse para me contar todas as felicidades que eu iria viver com você e me dissesse que o custo delas seria o que estou passando agora, eu não teria dúvidas de que faria tudo de novo. Não posso pedir que você se lembre de mim onde quer que esteja agora, mas não consigo suportar a idéia de você me esquecer. Você me deu tanta coisa, e eu não fui capaz de retribuir nada...Julia...
Você me fez feliz...
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Meh [7]
Capítulo 7: Paraíso sombrio
Sentia-me flutuando. Minha cabeça se encontrava apoiada em algo macio e confortável. Um familiar e sutil perfume feminino de cheiro extremamente agradável pairava no ar. Eu conhecia esse cheiro, assim como essa sensação de bem-estar. Só poderia ser causada por uma pessoa.-Ah... Julia?
Pensei por alguns instantes em abrir os olhos, mas notei que me demandaria um esforço que não me parecia necessário naquele momento. Sentia-me diferente por algum motivo. Mais leve, livre das preocupações. Livre das dores. Pela primeira vez em muito tempo, me sentia genuinamente... bem. Será que eu... morri? É isto, então. Morto por um motivo qualquer numa rua qualquer. Morto antes de minha vida ter sequer começado. Morto antes que meu coração pudesse um dia conhecer a tranquilidade...
No entanto...
Ainda sim, havia algo esquisito. Algo ainda doía. Uma dor estranha e latente persistia, e parecia me arrastar com força para algum lugar estranho e assustador. Era uma dor... na minha coluna? Mas se minha coluna doía, isso quer dizer que eu...
Percebi-me deitado em algo duro, e minha coluna doía extraordinariamente. Tive a impressão de que algo pesado havia passado por cima de mim e quebrado todos os meus ossos. Quando, enfim, abri os olhos, me deparei com duas esferas prateadas que me observavam minuciosamente.
-Não é a Julia, seu bobo. É a Juliana...
Eu... ainda estou vivo...
Notei então que estava deitado em uma cama, e ela, sentada em um pequeno sofá ao lado. Tentei me levantar, mas uma pontada de dor fez com que eu cessasse meu movimento, mordendo os lábios e fechando os olhos com força.
-Vai com calma, Tiago. Afinal, você acaba de ser atropelado... Disse ela, dando uma leve risada sarcástica
-A-Atropelado, você diz? Perguntei, atônito.
-Foi o que eu disse. -com um movimento da mão, ela jogou seus longos cabelos negros para trás- Pelo visto, você saiu correndo para atravessar a rua e não conseguiu ver que um carro enorme vinha na sua direção...
Olhei ao redor e percebi que me encontrava em um quarto de hospital. Estava um pouco escuro, mas pelo que consegui enxergar, as paredes e o teto eram pintados de branco, assim como uma porta que dava para um banheiro. O pequeno sofá onde ela havia se sentado era de um tom de azul desbotado, e um armário simples ocupava uma parte de uma das paredes. Presumi que era ali onde haviam guardado minhas roupas. Achei o quarto terrivelmente frio, e notei que fumaça saía de minha boca. Olhei para a janela e vi que estava aberta, exibindo a noite sombria que, enquanto eu dormia, havia deposto a claridade. Pedi gentilmente que minha companhia fechasse a janela, visto que estava vestido apenas com uma camisola e o frio já estava me fazendo perder a sensibilidade nas extremidades do corpo. Dando de ombros como se o frio não a incomodasse, ela se levantou e caminhou devagar e despreocupada em direção à janela, fazendo ecoar pela sala o barulho de suas botas de salto alto batendo contra o chão. Quando ela voltou ao seu lugar, pude ouvir a crescente sinfonia que os pingos de chuva começavam a fazer ao se chocar na janela de vidro. Ela prosseguiu:
-Eu estava andando pela rua da praia quando vi uma multidão reunida e resolvi perguntar a alguém o que houve. Me disseram que tinha sido um atropelamento, e quando me aproximei, vi que era você quem estava ali, estirado no chão. Quando a ambulância chegou, eu disse que era sua namorada e que estava muito preocupada com você, e me deixaram vir junto...
-Minha namorada!? Por que você disse isso? Perguntei, interrompendo-a revoltado, enquanto me levantava desajeitadamente da cama. Ofendida, ela levantou-se também e respondeu:
-Ora, como você pretendia que eu me apresentasse? Eu teria tido problemas pra entrar aqui se fosse de outra forma! Além do mais, ninguém teria vindo te acompanhar se eu não o tivesse feito. Você teria acordado aqui sozinho, sem ninguém pra te fazer companhia, como acontece todos os dias! É isso mesmo que você queria, Tiago? Não tem noção do favor que eu te fiz!?
A sua voz havia mudado, como naquela outra vez. E novamente estava me provocando arrepios. Aturdido pela reação dela, gaguejei:
-...M-Mas você não é minha namorada!
-Ah é, tem razão. Perdão por isso. Sua namorada está morta.
Dizendo isso, me encarou desafiadoramente com seus afiados e penetrantes olhos prateados, de modo que não pude deixar de reparar. Por deus, o rosto delas é idêntico... Me sentindo culpado e um tanto arrependido, virei-me para deitar novamente na cama, quando senti uma dor lancinante em minhas costas e soltei um gemido.
-Ah, Tiago! Aqui, deixa eu te ajudar...
Com cuidado, ela prontamente se aproximou e delicadamente me ajudou a recostar na cama. A voz também...
Perguntei, então, numa tentativa de mudar o assunto, pois já me sentia um tanto cansado:
-...Quanto tempo você acha que eu vou ter que ficar aqui?
-Os médicos disseram que são só alguns dias. Mas não importa. -nesse momento, ela esticou sua mão para alcançar a minha, me provocando uma ligeira sensação de incômodo. - Eu estou aqui pra você, Tiago. O tempo que você precisar de mim...
Tomado pelo sono, acabei adormecendo.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Bleh
"-Vai, faz um poema ultrarromântico, pra mostrar que você entendeu direitinho a matéria"
...
O meu amor é cinza. Assim como a vida sem ela. Os seus lábios gelados, os seus longos cabelos escuros iluminados pelo brilho prateado da lua cheia. A sua pele pálida e branca imaculada, a sua consciência pura, dormindo em algum lugar escuro e sombrio debaixo da vida. Jaz enterrada em algum túmulo congelado, coberta com a tênue mortalha da noite. Como sonhei com esses olhos fechados e com esse beijo que jamais fora roubado. Como amei a sua presença, ausente em minha vida, para depois não amar a vida, quando sua ausência fez-se presente. A presença da dor, mais poderosa que a dor da ausência que se apresenta. Oh, por que tantas dores sofri e sofro, por esse adeus que estremece a minha vida? Essa sentença que caminha, e a esperança que não volta. Já se afastam os amigos, e já não há mais amada...
...
O meu amor é cinza. Assim como a vida sem ela. Os seus lábios gelados, os seus longos cabelos escuros iluminados pelo brilho prateado da lua cheia. A sua pele pálida e branca imaculada, a sua consciência pura, dormindo em algum lugar escuro e sombrio debaixo da vida. Jaz enterrada em algum túmulo congelado, coberta com a tênue mortalha da noite. Como sonhei com esses olhos fechados e com esse beijo que jamais fora roubado. Como amei a sua presença, ausente em minha vida, para depois não amar a vida, quando sua ausência fez-se presente. A presença da dor, mais poderosa que a dor da ausência que se apresenta. Oh, por que tantas dores sofri e sofro, por esse adeus que estremece a minha vida? Essa sentença que caminha, e a esperança que não volta. Já se afastam os amigos, e já não há mais amada...
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Academia
Havia sido um longo e quente dia. Estavam todos cansados, mas ainda havia uma hora e meia de aula, e nesse momento, a única solução era abaixar a cabeça e obedecer. Assim, saí de Santa Teresa às 3:40 da tarde para chegar no Cosme Velho às 4 e ter uma aula de inglês que duraria uma hora e meia, para depois, enfim, chegar em casa às sete. Certamente, um dia cansativo, mas teria de ser vivido, assim como muitos outros, pois não há botão de 'avançar'. Após a aula, caminhamos conversando, conforme o céu ficava cada vez mais escuro e a brisa suave balançava de leve as folhas das árvores. Apesar de minha boca naquele momento estar falando inúmeras palavras que pareciam interessantíssimas para quem as ouvia, minha mente vagava em outro mundo, em alguma outra história. Depois de finalmente me despedir das pessoas, pus-me a subir a rua, para encontrar minha mãe em sua academia e pegar uma carona até em casa. Ao chegar na academia, me deparei com a mesma cena de sempre: um monte de gente feia em suas tentativas pessoais de se exercitar. Como não poderia deixar de ser, a academia é repleta de espelhos, e as pessoas se olhavam neles, rastreando minuciosamente o próprio corpo, e o dos outros, é claro, a procura das menores e mais insignificantes imperfeições. À medida que andava em busca de minha mãe, obviamente, olhei-me no espelho, pois ainda há de ser encontrado ser humano que resista à tentação de se olhar no espelho quando vê um. A situação que vi, então, através do espelho, me chamou a atenção. Observava a mim mesmo, ao lado de todas aquelas pessoas velhas, feias, suadas, tentando desesperadamente manter um mínimo de boa forma e falhando terrivelmente na tentativa. Observei pessoas cansadas, com dor nas costas e suor escorrendo da testa, se degladiando no objetivo de chegar ao veredito de quem era menos asqueroso. Observei então, a mim mesmo novamente. E conclui que não há nada mais valioso no mundo do que a beleza e a juventude.
O sermão da Santa
Eu não posso dizer que conheço o seu sofrimento e sei exatamente pelo o que você está passando, pois não enfrentei sua situação. Eu só posso te pedir para resistir à sua sede por vingança, pois ela não trará paz alguma. Quando -certas coisas- aconteceram comigo, só o que pude fazer foi odiar a mim mesma por permitir que isso acontecesse. Depois, direcionei meu ódio à -ela-, pois acreditei no fundo do meu coração que ela era a culpada pelo meu infortúnio. Porém, um dia me ocorreu: Nada de bom viria de odiá-la e de lamentar o meu passado. Eu só poderia moldar o futuro e curar o sofrimento atual, das pessoas ao meu redor. A minha paz interior ainda poderia ser realizada nos meus dias, oferecendo auxílio a quem necessitasse. Nada de bom virá de arranhar feridas antigas. Não seja tola, e dê tempo ao tempo para curá-las. O ódio vai tentar te convencer de que o pecado a libertará, mas no final, você terá apenas a si mesma para odiar. Se você realmente deseja trazer paz a si mesma, viva sua vida para melhor, e não para vingança. Ódio e agonia não são motivos pra viver; esperança sim.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
O conceito de Meh
Eu posso não saber o que será o amanhã, mas sei o que será o meu fim. E não parece bom.
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