domingo, 8 de janeiro de 2012

Textos alheios

Não, não peça a minha opinião sobre um texto que você escreveu. Eu vou detestar de qualquer maneira. Se for ruim, vou detestar porque odeio ler coisas ruins. Se for bom... bom, escritores são competitivos. Se for bom eu vou detestar mais ainda porque vou ficar com inveja. Não confie na minha opinião de maneira alguma.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Mudez Funcional

Naquele momento, sentou-se decidido na cadeira e pegou uma caneta. Encarou por um instante o papel em branco, decidido a registrar de uma vez o monólogo que se desenrolava noite após noite em sua cabeça durante todos esses anos. Decidido a traduzir para o papel a solidão que permeava seu âmago todas as vezes que, deitado, olhava para as rachaduras no teto, imaginando qual seria o real significado de tudo isso. Sabia que somente o papel iria ouvi-lo, pois o mundo ao redor parecia roubar o eco de suas palavras. Estava cansado de remoer idéias no peitoril da varanda, observando a solidão depressiva de uma noite abarrotada de luzes artificiais. Cansado de suspirar palavras adocicadas nos ouvidos da mulher sem cérebro que o esperava em casa, dia após dia, com uma refeição pronta e com as pernas abertas. Desgastado pela apatia que o encarava toda manhã através do espelho, mascarada pelos rostos e risadas que foram sempre capazes de conquistar todos ao seu redor. Sem motivações para inventar uma outra e nova vida para preencher esse vazio, que almejava algo desconhecido em algum horizonte muito além do nosso. Mas, acima de tudo, profundamente amargurado pela noção de que 'crescer' significava somente aprender a esconder aquilo que de lá de dentro vinha. Sabia, portanto, que deveria registrar algo. Independente de alguém ler ou não, serviria como a única manifestação contrária à uma vida inteira que copiou o senso de moralidade dos robôs ao seu redor.  Porém, no instante em que sentou-se na cadeira para finalmente revelar ao papel suas aflições, paralisou. Sua mente estava em branco. Ele não simplesmente desconhecia o modo apropriado de dar forma à seus pensamentos. Era como se já não soubesse mais o que um dia quis dizer em primeiro lugar. Permaneceu imóvel durante alguns minutos, até despertar num estalo, abrindo seu laptop e lembrando que tinha trabalho à fazer.

...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Reflexões da Madrugada pt. 4

"Penso, logo existo". Ou penso, pois existo? O que afinal existe, nós ou nossos pensamentos? Talvez não estejamos realmente aqui. Talvez sejam apenas nossas mentes criando um mundo irreal para o nosso entretenimento. Talvez eu seja na realidade o fruto da sua imaginação, ou talvez eu e você sejamos o fruto da imaginação alheia. Nos questionamos o tempo todo sobre diversas coisas, mas raramente paramos pra pensar por que estamos aqui e por que vivemos e sofremos... Devemos nos perguntar? Não sei, mas mesmo assim eu me pergunto, sem jamais obter as respostas. Eu pergunto, e sem saber o porquê das perguntas, me pergunto, por que? Eu não sei... Mas sou feliz. Sou feliz porque quero morrer. Sou feliz porque quero desaparecer, porque quero... retornar ao nada.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Por um desejo

Estava frio, e meu pescoço doía. Acordei com minha cabeça pendendo para fora de meu encosto, e mais tarde raciocinei que era esse o motivo de meu desconforto. Ajeitei-me então, mas meu pescoço continuava a reclamar. Encontrava-me sentada em algo macio. Tentei abrir os olhos, mas eles arderam com a claridade e começaram a lacrimejar, forçando-me a fechá-los. Esperei um pouco e os abri aos poucos. Vi apenas um grande borrão roxo desbotado. Conforme minha vista se acostumava, o borrão foi gradualmente tomando forma, e entendi que se tratava do teto. Olhei para frente, e me deparei com uma penteadeira de madeira escura e envelhecida. Uma garota coberta por uma névoa branca sobrenatural, sentada numa grande poltrona vinho me encarava fixamente. Uma névoa branca? Ainda me sentia um pouco tonta, e fechei os olhos com força, para garantir que meus sentidos não estavam me pregando uma peça. Para meu alívio, a névoa havia desaparecido. A garota não. Senti, então, um grande conforto em saber que mais alguém estava ali comigo, pois não gostava de ficar sozinha. Seus cabelos eram longos, lisos e negros. Ela usava botas escuras de salto e tinha suas pernas cruzadas. Usava um uniforme de estudante: uma saia xadrez vermelho e preta cobrindo suas belas coxas, enquanto uma camisa preta de mangas longas deixava à mostra apenas sua mão de bonitos dedos e longas unhas feitas. Ela fitava-me. Exceto pelos movimentos gerados por sua respiração, não se mexia. No entanto, suas feições transmitiam-me a sensação de que estava igualmente surpresa em me ver. Ela não vai falar nada? Por um tempo indeterminado que me pareceram horas, observei-a, na esperança de que dissesse ou fizesse algo que botasse fim àquele silêncio envolvente. Nada. Martelava-me sem parar na cabeça o temor do momento em que ela se cansaria de esperar e saíria antes que eu pudesse dizer algo, deixando-me sozinha naquele quarto assustador e não familiar. Isso não poderia acontecer. Concentrei-me então em mover meu braço. Se pudesse fazer isso, mostrar que estava ali, mostrar que não estava dormindo, talvez ela não fosse embora. E talvez, só talvez, dissesse algo, e me fizesse companhia. Juntei todas as minhas forças, e fui capaz de levantar meu braço direito que repousava na grande poltrona. Debochando, a garota à minha frente realizou precisamente o mesmo movimento, mas com o braço esquerdo. O braço esquerdo...? Merda. Não... Estava sozinha. Não sei ao certo se foi uma sensação criada pela minha mente assustada ou simplesmente o destino zombando de mim, mas a temperatura do quarto baixou instantaneamente. Eu sentia medo. Tentei me levantar sem sucesso. Uma sensação de pânico foi gradualmente se formando e tomando conta de mim, me fazendo ter a certeza de que o pior a se fazer naquele momento seria ficar parada. Era como se o frio fosse capaz de me dominar por completo e me impedir de me levantar de novo. Não, não era o frio. Sabia que não era, senti aquilo desde que acordei no quarto. Havia algo ali. Uma presença. Me observando, escondida nas sombras. Lentamente rastejando pelo chão de madeira, e subindo a poltrona. Não conseguia me mover. Olhei desesperada para o lado e por um instante tive certeza de que mãos feitas de sombras subiam pelo meu braço devagar, até chegarem ao meu pescoço e lentamente me sufocarem. Comecei então a fazer um esforço descomunal para vencer a inércia de meu corpo. Suava, e fumaça saía de minha boca à cada respiração. Engolia em seco, e um grito de pavor prendia-se no fundo de minha garganta. Tinha de me levantar. E rápido. No entanto... Os pensamentos foram se acalmando conforme minhas forças e meu oxigênio restantes eram sugados para fora de mim. Sentia-me sendo engolida devagar pelas sombras. Deveria mesmo tentar lutar e viver? Não seria muito mais simples desistir e ficar aqui, onde poderia definhar e morrer? Eu devo mesmo tentar fugir? Não é como se eu tivesse exatamente motivos pra continuar vivendo, mas... Eu tenho medo. Eu tenho medo da dor, e tenho muito medo da morte. Eu não quero ficar aqui. Eu não quero ficar sozinha. Eu quero encontrar alguém... Mas será que ainda tem alguém aí...? Não... Tem de haver alguém. Tomada então por uma força monstruosa que não era minha, apoei minhas pernas no chão e gritei, levantando-me triunfante, fazendo a escuridão recuar, assustada. O pânico havia se dissipado completamente, e somente o frio, agora sutil, permanecia. Senti um forte gosto metálico na boca. Passei a mão nos lábios, e vi que estavam feridos e sangravam. Parei, então, para olhar o quarto em que me encontrava, apesar de não haver muito para se ver. Fora a poltrona onde antes estava sentada e a penteadeira velha encostada na parede à frente desta, o pequeno quarto tinha apenas uma janela e uma porta. Tentei a porta. Trancada. Sentei novamente na poltrona e abri a única gaveta da penteadeira. Encontrei uma caneta, um bilhete e um revólver. Um calafrio percorreu minha espinha. Indaguei receosa durante alguns minutos quem poderia tê-los posto ali e com que propósito. Cuidadosamente para que não disparasse, abri o revólver e vi que continha apenas uma bala. Botei-a de volta e deixei o revólver na cabeceira logo em frente ao espelho, enquanto voltava minha atenção para o bilhete. Em letras garranchadas que ocupavam metade da folha, consegui ler:
Hoje, todos os seus desejos se tornarão realidade

Logo embaixo, dois riscos. Peguei a caneta e comecei a escrever:
Hoje, todos os seus desejos se tornarão realidade
Ao comparar o que eu havia escrito com o que anteriormente estava ali, não pude evitar deixar cair a caneta numa mistura de surpresa, alívio e receio. Sabia, então, que encontraria alguém. Instintivamente, peguei o revólver da penteadeira e abri a janela. O vento frio soprou. Assim que saí por inteira do quarto, por um segundo procurei, esperançosa, o sinal de algum rosto conhecido. Estava escurecendo, e a rua estava deserta. Experimentei então uma sensação de profundo pesar, embora soubesse de antemão que não havia ninguém esperando por mim. Perguntei-me por alguns instantes que caminho deveria tomar, quando me dei conta de que não sabia onde queria ir. Decidi então andar seguindo um velho muro de pedra, pois ele tinha alguns desenhos de criança feitos com giz-de-cera. O vento batia diretamente contra o meu rosto, jogando meus cabelos para o alto e gelando meu nariz e minhas orelhas. O metal do revólver roubava o pouco de calor que restava em minha mão direita. Após alguns minutos de caminhada sem sucesso, vi ao longe algo sendo levado pelo vento na minha direção. Botei a mão acima dos olhos para protegê-los do vento e forcei-os, no intuito de identificar o objeto. Ele se aproximava rapidamente, e antes que pudesse ter a certeza de que era um papel, grudou contra meu peito pela força do vento. Estava escrito "Verão em Cancun, 2008". Do outro lado, uma foto de um bonito rapaz abraçado a uma garota. Notei algo de familiar nela, e observei-a por alguns instantes. De repente, percebi. A garota... sou eu? E esse garoto... me conhece? Não, essa não sou eu. Os olhos dela são castanhos. Mas, mas... Tinha de ser eu, tinha de ser! Mas não era. Então, se não era eu, o que significava isso? Havia alguém... igual a mim? Eu sou, então... desnecessária? O pânico novamente tomou o controle, muito mais poderoso de que da última vez, e eu sentia meu coração acelerado bombear sangue alucinadamente para todo o meu corpo. Meus pulmões trabalhavam excessivamente, e eu me sentia com falta de ar. Minha garganta seca causava-me dor ao engolir minha saliva misturada ao sangue que saía de meus lábios inferiores. Não pude evitar os pensamentos que forçavam passagem em minha mente enquanto meu braço direito se movia lentamente em direção à minha cabeça, até encostar em minha orelha o metal frio de um calibre .38. Milhares de vozes se misturavam em minha mente, causando uma dor de cabeça excruciante e tornando cada vez mais e mais sedutor o simples movimento de um dedo. Pensamentos, lembranças,invenções e desejoseamoresemedoseinsegurançaseloucuraseódiosepaixõesemortesesangue.
Chega
Abri os olhos, interrompendo em uma fração de segundo a torrente de pensamentos. Meu braço direito mantinha apontado o revólver para minha cabeça. O pus então em minhas mãos e pensei por alguns instantes. Decidida e sem hesitar, arremessei-o por cima do muro. Encontrarei alguém. Alguém que vai me amar pelo que sou...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Fugiram...

- Ei, o que essa merda está fazendo vazia? Deveriam haver borboletas aí! Borboletas, eu digo! Por que você nunca faz o que eu mando, seu energúmeno?!

domingo, 13 de novembro de 2011

"- Ok então, oito e vinte estamos saindo, pra você não perder a banda do Chico"

...

Era fácil. Era muito simples, juro pra você. Oito reais contados. Eu e Diana estávamos indo prum show pra curtir o som e pra arranjar minha amiga Camila pro meu outro amigo, o baixista da segunda banda. Íamos nos aprontar, eu passaria na casa da Diana, iríamos juntos até a casa da Camila, pegaríamos o 569 e iríamos os três felizes e contentes pro show. Ponto. Simples. Fácil. Prático.
Nem tanto.
A começar que a Diana e a Camila demoraram séculos pra descer. O percurso da rua, que deveria ter levado 10 minutos, levou mais de meia hora. Ok, nenhum motivo pra se estressar. As bandas sempre atrasam, e essa não seria diferente. No entanto, Diana não conseguiu se conter:
- Cara, a gente vai pegar ônibus aqui? Quando eu fui pra ipanema com o Grabois e *insira o nome de pessoas aleatórias aqui*, nós pegamos o ônibus do outro lado da rua!
Começou...
- Eu sempre fui por aqui e sempre cheguei no lugar... -Respondi-
- Mas vai demorar D: E a gente vai chegar super atrasado pra banda do Chico.
- Vai nada, eles vão atrasar.
-Ai... tá bom.
Enfim. O ônibus demorou um tempo, só pra me contrariar. E nesse meio tempo, Diana insistia pra que pegássemos o ônibus no -outro lugar-. Bom, pegamos o 569 no meu lugar mesmo, e estávamos indo bem. Passamos pelo Cosme Velho, Rebouças, Mãe-da-Camila-que-não-podia-saber-que-fomos-de-ônibus, etc. Íamos chegar só um pouco atrasados. A banda só ia começar mais tarde mesmo. Tinha tudo pra dar certo. Tudo.
Até que...
- AI CARA, A GENTE VAI SE ATRASAR MUITO!!!!!1111111!!111!!ONZE!111!!
- Vai nada, Diana, relaxa, o onibus vai direitinho!
- Ahnãoahnãoahnãovamospegarumtaxitaxitaxitaxisouchatabeijos!
- Você paga.
- Ok
E saímos do onibus. Íamos pegar um taxi. Na boa, em paz, tocando um violão. Quando...
- Ei...
- Que foi, Diana?
- Ipanema é pra lá...
- É não, é pra cá
- Ah, mas quando eu fui pra Ipanema e peguei o ônibus com blablablaGraboisblablabla o onibus foi pra lá!
- Cara, tenho certeza absoluta que é pra cá.
- Ahnãoahnãoagentevaichegaratrasadonãoseiquenãoseiquelásouchatabeijos!
- Argh...
E andamos. Atravessamos correndo duas ruas movimentadíssimas, até que Camila teve a brilhante idéia de perguntar à uma moça em que direção ficava Ipanema. Ela apontou para a direção que -eu- estava indo em primeiro lugar. Obrigado, moça. Deus te abençoe. Fomos pra minha direção. Atravessamos correndo novamente as duas ruas movimentadíssimas e pegamos um taxi. No caminho...
- UAHSUAHSAUHSUAHSUAHSUAHS
- Pronto, Diana endoidou de vez...
- HAHAHA, NÃO, É QUE HAHAHAHA, EU OLHEI E ESTÁVAMOS TODOS DO MESMO JEITO OLHANDO PRA JANELA HAHAHAHA.
Enfim. Passado o surto, chegamos lá. Esperamos um pouco pra podermos abrir as portas do taxi ao mesmo tempo, e adivinha? Chegamos -muito- mais cedo do que a primeira banda. Eu S-A-B-I-A. Após fuzilar Diana com os olhos e com o pensamento (acho que ela nem percebeu), fizemos uma votação e resolvemos ir pra praia entrar em contato com a natureza. No momento que voltamos, já estavamos desse jeito:
Estávamos voltando, felizes e contentes, quando Camila pede pra pararmos pra ela comprar algo pra beber e Diana sai correndo no meio dos carros. Normal. Acontece com qualquer um. Ainda mais com a Diana. Fomos andando. Ê, legal, encontramos com um tal que a Diana falou que estava horrível agora. Bom. Entramos lá na parada, tudo certo. Subimos, na boa. Ficamos lá de gangster encostados no 'balcão' observando o movimento enquanto a banda do Chico se preparava. Incrível, o Chico conseguiu fazer os playboys e as cocotas pularem. Fiquei conversando com a Camila sobre o belo par de paisagens que se projetavam à nossa frente. O show rolou de boa, Diana foi pra algum lugar, continuei lá com a Camila esperando a banda do meu amigo, porque ela tinha combinado de pegar o baixista. Tiveram vários problemas técnicos, não tinha caixa de retorno, uma das cordas de uma das guitarras estourou, a galera tava meio desanimada, e blaus. Cabou que no final fui falar com o baixista e ele estava indo pegar água pro amigo que estava passando mal. Resumo da ópera: ele foi-se e Camila não o pegou. Decidimos ir embora. Não sem antes fazer, na esquina, um lanchinho de sanduíche suspeito com recheio de origem questionável. Fomos caminhando, até que Diana, que estava super agradável e fácil de conviver naquele dia, não se conteve mais uma vez:
- Cara, a gente vai pegar ônibus onde?
- Na rua que é atrás do meu dentista, onde eu sempre pego, Diana...
- Mas cara, essa rua blablablabla vai demorar muito mais blablabla não estamos indo pro caminho certo blablaprecisoemagrecer
- Ai, morre, vadia!
Bom. Demos a maior volta. Não, sério, ficamos andando por no mínimo 40 minutos por ipanema, mudando de idéia sobre aonde íriamos para pegar nosso ônibus e chegar são e salvos em casa. O pior é que depois da terceira ou quarta volta, o tal do baixista apareceu de novo, aleatoriamente, nos convidando pro arpoador porque ia "uma galera". Nem que me pagassem. Isso porque tínhamos dito que voltaríamos de taxi e que chegaríamos por volta das 11 em casa. Já era uma e meia. Mas não era culpa nossa, juro! A culpa foi das bandas que atrasaram e da Diana que nos fazia mudar de rota a cada 5 minutos. Poisé. Tenta explicar isso pros nossos pais no dia seguinte. Ainda tínhamos o dilema do dinheiro, porque eu só tinha mais 4 reais, Camila tinha uns 5 e Diana era um sigilo. Detalhe que a Camila tinha levado 50, e 45 magicamente sumiram do bolso dela. Enfim. Acabou que tivemos a idéia de parar tudo que se movia e perguntar se passava no largo do machado. Depois de algum tempo, uma kombi super simpática parou, e entramos. Era dois e cinquenta. Grr. A partir daí foi só brisa. Diana anti-social ouvindo música, eu e Camila conversando o caminho inteiro sobre os acontecimentos e desilusões da noite. Chegamos ao nosso destino. E gente, se vocês não souberem disso ainda, anotem: não saem mais kombis do Largo às 2:30 da manhã. Voltamos a pé. O CAMINHO TODO, DEPOIS DE ANDARMOS PRA CARALHO ORR. Três amigos numa madrugada escura voltando pra casa. Caminhando e cantando e seguindo a canção. E morrendo. O vento tava soprando e deixando o caminho razoavelmente agradável. Foi super tranquilo. Fora que estávamos morrendo. Passamos pelo bar e encontramos um casal de conhecidos nossos que descobrimos naquela noite que eram um casal. Estavam de mãos dadas, e falaram com a gente super felizes. Eles eram uns fofos.
Chegamos na casa da Camila e nos despedimos dela. A mãe não estava nem um pouco puta, e ainda queria que eu subisse pra me dar um abraço. Score. Eu e Diana continuamos o caminho até as nossas respectivas casas. Deixei a Diana em sua casa sob o olhar repreensivo do seu pai, que descia as escadas pra abrir a porta, e continuei a andar. Procurei as chaves no bolso, abri o portão.  Subi as escadarias e desmoronei na cama. Minha cabeça latejava. Minhas pálpebras pesavam e minhas pernas esperneavam. Já nem sentia mais meus pés. Gente, o que foi aquela noite...

...
Faria tudo de novo.

-Uma Epopéia Noturna-
By Camila Vance, Diana Bulcão, Matheus Bogossian e cansaço. Muito cansaço.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Líquidos

Substâncias líquidas têm uma forma que depende do recipiente em que estão contidas, mas mantém o mesmo volume.









 
Gatos são líquidos.

... É.